A secretária de Estado das Mulheres do Piauí, Zenaide Lustosa, concedeu entrevista ao programa Boa Tarde Piauí, da TV Band, em que abordou temas centrais da política pública para mulheres no estado. Ela falou sobre o encerramento do prazo de inscrições do Selo de Responsabilidade Social Mais Mulheres, as ações integradas de enfrentamento à violência de gênero e os serviços ampliados para acolhimento e promoção da autonomia feminina nesta quarta-feira (04).
Selo “Mais Mulheres”: critérios e inscrição
Zenaide explicou que o Selo Mais Mulheres, em sua segunda edição, é voltado para empresas públicas e privadas que promovem igualdade de gênero, enfrentam a violência contra mulheres e investem em ambientes laborais saudáveis.
Foto: Band Piauí“É um selo voltado para empresas públicas e privadas. Empresas que já trabalham a equidade, a igualdade entre homens e mulheres, que têm boas práticas voltadas para as mulheres, ou no enfrentamento à violência, ou na inclusão dessas mulheres dentro do espaço laboral, que investem num ambiente sadio para que as mulheres não sofram discriminação, voltada muitas vezes à questão do assédio sexual, o assédio moral. Inclusive, nós temos uma campanha que é permanente no Estado, sem assédio moral e sem assédio sexual.”
A secretária informou que as inscrições se encerram nesta quarta-feira (04) e que o resultado será divulgado no dia 9 de março, com a entrega do selo no Palácio do Karnak, a partir das 11 horas.
“Está nas nossas redes sociais, @sempimulheres, que é a rede social da Secretaria das Mulheres. E a entrega desse selo se dará no dia 9, no Palácio do Carnaque, a partir das 11 horas.”
Parceria com a Segurança Pública e combate à violência
Ao falar sobre o aumento da violência contra mulheres, a secretária destacou a importância da integração entre a Secretaria das Mulheres e a Secretaria de Segurança Pública para agilizar atendimento e acolhimento às vítimas.
“O governo do Estado trabalha de forma integrada as políticas para as mulheres. Nós temos a Secretaria da Segurança, a Secretaria das Mulheres e vários projetos que andam juntos. Nós funcionamos em rede, e cada órgão tem seu papel.”
Entre os programas citados, está o “Ei, Minha Irmã, Não Se Cale”, que atende os 224 municípios 24 horas por dia. Ela detalhou.
“Quando você faz o acesso ao Zap, que é o 0800 000 1673, você já está dialogando com a Polícia Militar, que é o COPOM, que atende essas denúncias, pelo 190, e de forma integrada a gente faz o atendimento às mulheres, e também não só o atendimento, mas o acolhimento, porque você tem assistente social, você tem psicóloga.”
Zenaide ainda ressaltou a formação permanente de profissionais da segurança, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, destacando a efetividade da Patrulha Maria da Penha.
“Das mulheres que foram acompanhadas em 2025, 100% estão vivas. Isso é muito importante: quando você procura o Estado, quando você procura ajuda, você salva a sua vida, salva a vida de outras mulheres. Já em 2026, nos meses de janeiro e fevereiro, tivemos redução de 66,6% dos feminicídios no Piauí.”
Causas da violência e ações de conscientização
A secretária falou sobre o machismo estrutural como causa principal da violência.
“O machismo é estrutural. Então, é todo um processo de desconstrução desse processo do patriarcado, do machismo, para que a gente realmente possa continuar vivas. E, por exemplo, nesse mês de março, nós continuamos a campanha contra a importinação sexual voltada para a educação, desenvolvendo ações nas escolas estaduais e em parceria com municípios, qualificando profissionais, dialogando com alunos e alunas, fazendo esse trabalho de sensibilização e conscientização.”
Ela reforçou que a violência não é um problema das mulheres, mas dos homens.
“Os homens também são os grandes responsáveis pela violência contra as mulheres. Eles têm que ter consciência de que podem desconstruir e ter uma relação sadia e respeitosa, para que possamos continuar vivas.”
Casa da Mulher Brasileira e interiorização dos serviços
Zenaide destacou a importância da Casa da Mulher Brasileira em Teresina e o plano de expansão para cidades do interior.
“A Casa da Mulher Brasileira é um serviço integrado. Lá nós temos a Delegacia Especializada da Mulher, o Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública, o Ministério Público, e é uma gestão compartilhada entre Estado e município. O município assume o psicosocial, e estamos em processo de construção da Casa da Mulher Brasileira em Parnaíba.”
Ela acrescentou que a casa oferece capacitação profissional, qualificação e inclusão no mercado de trabalho, com parcerias com empresas privadas em áreas como biojoias, gastronomia e corte e costura.
“Temos o Instituto de Identificação Digital, vamos assinar o Acordo de Cooperação Técnico, o ACESAR, para atender as mulheres assistidas através da saúde digital dentro da casa. Temos o posto do CINE, onde as mulheres podem colocar seus currículos para ter acesso ao trabalho e à renda.”
Protagonismo feminino na política
Sobre a participação das mulheres na política, Zenaide destacou que, apesar da cota, a presença feminina ainda é baixa nos espaços de poder.
“A cota é uma conquista das mulheres, foi uma luta das mulheres. Mesmo com a obrigatoriedade, hoje somos em torno de 18% nos espaços a nível federal. Somos 52% da população, então é importante que estejamos na política para democratizar a política e garantir nossa participação nos espaços de decisão.”
Dê sua opinião: