Dois trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão durante uma operação realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal e rede de assistência social em propriedades rurais de José de Freitas, a cerca de 50 quilômetros de Teresina. As fiscalizações ocorreram nos dias 21 e 22 de julho.

As investigações identificaram jornadas exaustivas, restrição de liberdade, isolamento social e moradias precárias. Um dos trabalhadores permaneceu por mais de cinco anos sem receber salário após aceitar a promessa de que teria uma casa construída pelo empregador, obra que nunca foi concluída. O outro foi levado para uma fazenda poucos dias depois de passar por uma cirurgia ocular e passou a realizar serviços pesados, recebendo, na prática, cerca de R$ 30 por mês após descontos.

Após o resgate, os dois passaram a ser acompanhados pela rede de assistência social, terão acesso ao seguro-desemprego especial destinado às vítimas de trabalho análogo à escravidão e receberão os créditos trabalhistas reconhecidos durante a fiscalização.
Denúncia em São Paulo
Enquanto isso, cerca de 15 trabalhadores piauienses denunciaram viver situação semelhante no município de Ipuã, interior de São Paulo. Segundo eles, aceitaram uma proposta de trabalho na colheita da palha de milho com promessa de carteira assinada, moradia e alimentação, mas encontraram alojamentos precários e condições diferentes das oferecidas antes da viagem.

Os trabalhadores afirmam que alguns dormem em colchões no chão ou em redes, expostos ao frio, e dividem imóveis sem estrutura adequada. O empreiteiro responsável pelo recrutamento desapareceu há cerca de um mês.
O proprietário da fazenda foi ouvido pelas autoridades e deverá custear os salários do grupo e o retorno dos trabalhadores ao Piauí. O caso segue sendo investigado pelos órgãos competentes.
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