Quarta, 11 de março de 2026, 15:25
Polícia

Delegada alerta sobre sinais de violência e prevenção ao feminicídio

Nathália Figueiredo deu entrevista ao programa Boa Tarde Piauí nesta terça-feira (10) e falou sobre prevenção, medidas protetivas e redução de casos

A delegada Nathália Figueiredo, titular do Núcleo de Feminicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), detalhou nesta terça-feira (10), em entrevista ao programa Boa Tarde Piauí, os principais desafios e estratégias no combate à violência contra a mulher em Teresina. Ela destacou sinais de alerta que indicam risco de feminicídio, a importância das medidas protetivas e a necessidade de uma mudança cultural para reduzir os casos.

Durante a entrevista, a delegada explicou que o Núcleo de Feminicídios tem uma dupla função: investigar casos de feminicídio consumado e tentado, além de quaisquer mortes violentas de mulheres na capital. Segundo Nathália, muitos casos envolvem organização criminosa e tráfico de drogas, o que torna as investigações complexas.


Foto: Band Piauí“Quando tratamos de feminicídios, percebemos que não é só a família que sofre. Nós, profissionais, também nos chocamos com a crueldade desses crimes”, afirmou.

Ela destacou padrões comuns entre agressores. “A grande maioria já possui histórico de violência em relacionamentos anteriores. Observamos relações pautadas em opressão, controle excessivo ou inconformismo com o término do relacionamento”.

Sobre o suporte recebido durante as investigações, Nathália reforçou a importância do trabalho integrado: “Não trabalhamos sozinhos. A segurança pública, o Poder Judiciário e o Ministério Público atuam juntos. Precisamos de decisões favoráveis de promotores e juízes para que nossas ações sejam efetivas”.

A delegada também comentou sobre a legislação vigente. “O aumento da pena para o feminicídio é importante, mas não suficiente. Precisamos de leis mais duras e de um processo penal que realmente coloque o agressor na prisão, evitando a sensação de impunidade”.

Nathália alertou para comportamentos que devem servir de alerta às mulheres. “O agressor raramente começa com o feminicídio. Primeiro há sinais como controle excessivo, isolamento social, desconfiança e opressão. O principal é que a mulher rompa o ciclo de violência assim que se perceber vítima”.

Ela enfatizou a eficácia das medidas protetivas. “No ano passado, cerca de 88% das vítimas de feminicídio não registraram ocorrência nem solicitaram medida protetiva. Quando a medida é concedida, com monitoramento, por exemplo, via tornozeleira eletrônica, os resultados são positivos. Todas as mulheres monitoradas pela Patrulha Maria da Penha no ano passado não evoluíram para feminicídio”.

Sobre o panorama atual, a delegada indicou uma redução nos casos. “Comparando o bimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, tivemos uma queda de 66% nos registros de violência doméstica familiar, passando de 12 para 4 casos. Isso mostra que as operações e campanhas de prevenção têm sido efetivas”.

Por fim, Nathália reforçou a necessidade de mudanças sociais e educacionais para reduzir a violência de forma estruturada. “Muitos agressores cresceram em ambientes violentos e reproduzem esse comportamento. A reconstrução social e a educação dos nossos filhos são essenciais para transformar essa realidade”.


Assista à entrevista completa:

Video da entrevista no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ICAjZMq8U1I

Assista também pelo Instagram da TV Band Piauí: https://www.instagram.com/tvband.piaui?igsh=ZTN3dTFmeXlvNTE1

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