Quarta, 25 de março de 2026, 17:07
Polícia

MP denuncia 12 por fraudes em combustíveis e pede R$ 74,2 milhões no Piauí

Esquema envolvia adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, segundo o GAECO

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) denunciou 12 pessoas investigadas por participação em um esquema de fraudes em combustíveis no estado. A ação é resultado da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em novembro de 2025, e aponta prejuízos ao mercado local e aos consumidores ao longo de quase dez anos.

De acordo com o MPPI, a investigação identificou que o grupo atuante no Piauí integra o braço financeiro e operacional de uma organização criminosa com base em São Paulo. A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, envolve crimes como adulteração de combustíveis, lavagem de capitais, falsidade ideológica e infrações contra a ordem econômica e as relações de consumo.


Foto: SSP-PIAs irregularidades foram registradas entre 2016 e 2025, com base em fiscalizações realizadas por órgãos como o Instituto de Metrologia do Estado do Piauí (IMEPI), a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon do Ministério Público. Segundo o órgão, as fraudes se dividem em dois tipos: quantitativas e qualitativas.

No caso das fraudes quantitativas, foram constatadas práticas como manipulação de sistemas de medição e rompimento de lacres, resultando em prejuízo direto ao consumidor, prática conhecida como “bomba baixa”. Já nas fraudes qualitativas, análises laboratoriais confirmaram adulteração na composição dos combustíveis comercializados.

A investigação também aponta que o esquema contava com apoio técnico externo, incluindo a contratação de uma pessoa de fora do estado para alterar placas medidoras, viabilizando as fraudes. Além disso, foi identificado um planejamento detalhado das adulterações, com uso de cálculos para manter o funcionamento irregular sem levantar suspeitas imediatas.

No eixo financeiro, o MPPI identificou a atuação de quatro núcleos distintos, incluindo grupos operacionais, financeiros e familiares. Segundo a denúncia, os recursos obtidos de forma ilícita eram lavados por meio de empresas de fachada e operações aparentemente legais, dificultando o rastreamento do dinheiro.

Ainda conforme o Ministério Público, movimentações financeiras suspeitas foram realizadas por meio de instituições digitais, o que reforçou a imputação do crime de lavagem de capitais.

Em decisão cautelar já obtida junto ao Tribunal de Justiça do Piauí, foi determinada a manutenção da interdição dos postos investigados, além do bloqueio de bens e ativos financeiros dos denunciados, como forma de interromper as atividades ilícitas.

Na ação, o MP também pede a condenação dos envolvidos ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 74,2 milhões. O caso agora segue para análise do Poder Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e o andamento do processo.

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