Segunda, 05 de outubro de 2026, 18:42
Saúde

Excesso de pele após bariátrica: quando cirurgia vai além da estética

Especialista explica que a cirurgia reparadora após a perda de peso combate problemas de saúde como infecções.

O peso na balança diminui após a cirurgia bariátrica, mas o excesso de pele pode virar um problema de saúde para muitos pacientes. Assaduras, infecções, dificuldade para se exercitar e até para manter a higiene fazem com que a cirurgia plástica pós-bariátrica vá muito além da estética. 

  
Excesso de pele após bariátrica. 
 
 
 

Em alguns pacientes, o excesso é pequeno e a questão é predominantemente estética. Em outros, porém, as dobras de pele passam a provocar assaduras recorrentes, feridas, infecções, mau odor, dificuldade para fazer exercícios e até para manter a higiene. 

Um estudo multicêntrico publicado em 2025 na revista científica Obesity Facts acompanha 380 pacientes durante três anos após a cirurgia bariátrica e constata que 69,5% manifestam desejo de realizar cirurgia de contorno corporal. Os pacientes que desejam o procedimento apresentam pior qualidade de vida, diferença relacionada principalmente à quantidade e ao incômodo provocado pelo excesso de pele. 

Quando a pele deixa de ser uma questão estética 

Para o cirurgião plástico Dr. Tárik Nassif, reduzir essa etapa do tratamento à vaidade é ignorar parte importante do que acontece com o paciente depois de uma grande perda de peso. 

“A Organização Mundial da Saúde define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade. O paciente tem o direito de buscar uma melhora no seu corpo, devolvendo a autoestima e deixando as atividades diárias mais confortáveis, resolvendo problemas dermatológicos, facilitando a higiene e a prática de atividade física. A vaidade é um termo simplista para algo com uma magnitude maior”, afirma. 

Não existe uma quantidade específica de pele que, sozinha, determine a necessidade de cirurgia. Segundo o cirurgião, o que pesa na indicação é principalmente a repercussão que esse excesso provoca na vida do paciente. 

“Consideramos um problema de saúde quando o excesso de pele impacta diretamente na qualidade de vida e causa transtornos na rotina”, explica. 

Cuidados com o tempo e a nutrição antes de operar 

Depois de passar pelo processo de emagrecimento, é compreensível querer resolver rapidamente o excesso de pele. Mas justamente nessa etapa, ter pressa pode jogar contra o resultado e contra a própria segurança do paciente. 

Em geral, a cirurgia reparadora é realizada entre um e dois anos depois da bariátrica, com o peso estabilizado por pelo menos três a seis meses. 

“O paciente deve estar com o peso estável, em bom estado nutricional, com boa reserva de proteínas e vitaminas, sem anemia e com o estado metabólico compensado, como glicemia em níveis normais e pressão arterial regular. Esses parâmetros são indispensáveis para uma cirurgia reparadora bem-sucedida e uma recuperação adequada”, afirma o cirurgião. 

Antes do procedimento, exames laboratoriais ajudam a verificar reservas de proteínas, vitaminas, ferro e outros eletrólitos. O médico alerta que um estado nutricional inadequado pode atrasar a recuperação e a cicatrização, causando abertura de pontos, infecção e necrose de tecido. 

Atendimento pelo SUS e continuidade dos hábitos 

A cirurgia reparadora não encerra os cuidados iniciados com a bariátrica, pois ganhar peso novamente impacta diretamente no resultado do procedimento cirúrgico. 

O Sistema Único de Saúde realiza cirurgias plásticas reparadoras pós-bariátricas quando existe indicação clínica, com encaminhamento feito a partir da atenção básica. 

“O SUS realiza as cirurgias reparadoras. Os pacientes devem procurar uma UBS para serem encaminhados aos centros de referência. Eles passarão por uma avaliação clínica e, se apresentarem alterações que causem prejuízo nas atividades diárias ou manifestações clínicas em decorrência do excesso de pele, poderão realizar os procedimentos”, explica Dr. Nassif. 

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