O assassinato da estudante de jornalismo Janaína Bezerra, ocorrido durante uma calourada na Universidade Federal do Piauí (UFPI), segue sem uma resposta definitiva da Justiça e continua mobilizando familiares, amigos e movimentos sociais. O crime, que interrompeu uma trajetória marcada por sonhos e planos profissionais, completa três anos nesta quarta-feira (28).
Janaína tinha 22 anos e foi morta entre os dias 27 e 28 de janeiro de 2023, durante um evento de recepção aos calouros da universidade. Natural de Teresina, ela morava com os pais e as irmãs e era descrita pela família como uma jovem amorosa, companheira e muito ligada aos pais. O sonho era seguir carreira no jornalismo e contar histórias.
Foto: Reprodução Em entrevista à TV Band Piauí, nesta quarta-feira (28), a mãe da estudante, Maria do Socorro Silva, relembrou os planos da filha e a expectativa que havia em relação ao início da vida profissional.
Foto: Band Piauí“Ela tinha muitos sonhos, queria trabalhar, já ia atuar na profissão. Ela dizia: "Mãe, qualquer hora eu vou ser chamada". E a gente está esperando por essa resposta. A minha filha era maravilhosa, inteligente, poetisa. Muita coisa foi prometida pra gente e não está sendo cumprida. Nós não temos ajuda de nada, estamos destruídos, a família continua no sofrimento”, afirmou.
O acusado pelo crime, Thiago Mayson Barbosa, chegou a ser condenado a 18 anos de prisão. No entanto, o Tribunal de Justiça do Piauí anulou o julgamento após a defesa apontar falhas na formulação dos quesitos apresentados aos jurados. Segundo a acusação, um novo julgamento será necessário para que qualificadoras importantes, como a de feminicídio, sejam analisadas corretamente pelo júri. A pena, que inicialmente poderia chegar a cerca de 70 anos de prisão, ainda depende da nova decisão judicial.
Três anos após o crime, a família segue cobrando celeridade no processo e uma nova data para o julgamento. O pai de Janaína, Adão Bezerra Nascimento, disse manter a fé, apesar da demora.
Foto: Band Piauí“Está demorando, mas eu acredito que a justiça vai acontecer. Primeiro a de Deus e depois a da Terra. Nós estamos com fé, esperando que isso se resolva. É muita angústia, muita tristeza. Estamos clamando por justiça”, declarou.
A mãe da estudante reforçou o pedido por uma definição do caso.
“Que o juiz marque essa audiência, porque a gente também está sofrendo. Hoje faz três anos. Para mim é uma angústia muito grande. Aquele abraço que ela chegava e me dava, o sorriso… era a alegria da casa. Hoje não temos mais. Acabou. Eu peço por justiça”, disse.
Três anos depois, a ausência de Janaína ainda dói, mas a luta por justiça segue viva na memória da jovem, nos sonhos interrompidos e no pedido coletivo para que o crime não fique impune.
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