Quinta, 22 de janeiro de 2026, 16:49
Segurança

Presidente de associação cobra valorização salarial dos praças da PM

Etniel Anchieta destaca desigualdade na remuneração entre forças de segurança e cobra tratamento isonômico do Governo do Estado

O presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar, Etniel Anchieta, defendeu a valorização salarial dos policiais e bombeiros militares durante entrevista concedida nesta segunda-feira (19), ao programa Boa Tarde Piauí, da TV Band. Segundo ele, apesar de avanços estruturais na segurança pública, a remuneração dos praças segue como a principal preocupação da categoria.

Durante a entrevista, Etniel Anchieta explicou que as associações exercem um papel fundamental na representação dos militares estaduais, já que a Constituição Federal não permite a sindicalização dessas categorias. 

“Os policiais militares e os bombeiros militares não possuem sindicatos. As associações são as entidades que buscam melhorias para a classe e estabelecem diálogo direto com as autoridades e com o governo do Estado”, afirmou.


Foto: Band Piauí O presidente reconheceu avanços recentes, como melhorias em viaturas, armamentos e na estrutura da corporação, mas destacou que a valorização financeira não acompanha as responsabilidades exercidas pelos militares.

“A estrutura hoje está boa, mas a nossa principal preocupação é a valorização salarial. Dentro das forças de segurança pública do Estado, somos os que recebem a menor remuneração”, ressaltou.

Ao tratar da comparação com outras instituições da segurança pública, Etniel defendeu isonomia no tratamento dado pelo poder público. 

“Somos como filhos do mesmo pai: Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros são regidos pela mesma secretaria e pagos pelo mesmo poder executivo, mas tratados de forma diferente no que diz respeito à valorização salarial”, pontuou.

Ele também destacou a complexidade da formação e das atribuições da Polícia Militar, que vão além do policiamento ostensivo. “Nossa formação é mais longa e nossas atribuições são amplas. Atuamos no policiamento preventivo, na polícia administrativa, na polícia judiciária militar e até na Justiça Militar”, explicou.

Entre os pontos mais sensíveis, Etniel citou a diferença salarial entre as carreiras da segurança pública. “Um agente da Polícia Civil inicia a carreira ganhando cerca de sete mil reais, enquanto um policial militar começa com aproximadamente quatro mil”, comparou.

Outro tema abordado foi o auxílio-alimentação, que, segundo ele, está há quase 11 anos sem reajuste. “Hoje recebemos R$ 330 de auxílio-alimentação, enquanto outras categorias tiveram reajustes recentes. Não queremos tirar direito de ninguém, apenas tratamento isonômico”, afirmou.

Sobre o diálogo com o governo, o presidente avaliou que há abertura, mas ponderou que os avanços ainda são insuficientes. “Há sinalizações positivas, como a incorporação da Gratificação por Desempenho Operacional, mas os valores ainda estão muito aquém do que precisamos”, disse.

Etniel também comentou avanços na progressão de carreira, lembrando que, no passado, muitos policiais se aposentavam como soldados. “Hoje, o policial militar pode se aposentar como subtenente. Isso é resultado de diálogo e de luta das associações”, destacou.

Ao final, o presidente reforçou que a valorização profissional é essencial para garantir dignidade aos militares e suas famílias. “Queremos uma carreira justa e um salário digno, que permita oferecer o mínimo de conforto para nossas famílias. A valorização do policial é fundamental para a segurança da sociedade”, concluiu.

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