Natural de São Raimundo Nonato, no semiárido piauiense, o aposentado Pedro Machado cresceu em uma realidade onde a água sempre foi escassa e, muitas vezes, incerta. Após anos vivendo no Sudeste, ele retornou à terra natal e encontrou um cenário diferente: a água potável já chega à torneira em algumas comunidades. Ainda assim, o acesso ao recurso segue como um desafio em regiões próximas à Serra da Capivara, onde cada gota precisa vencer longas distâncias, a profundidade do solo e os efeitos da seca.
Em boa parte do território, o problema começa ainda debaixo da terra. Nem toda água encontrada é própria para consumo, já que muitos lençóis subterrâneos apresentam altos níveis de sal, ferro e manganês. Mesmo quando a água é adequada para tratamento, a captação exige perfurações profundas, que podem chegar a até 900 metros. Esse cenário se agrava diante de um dos períodos de estiagem mais severos dos últimos anos, com chuvas abaixo da média e reservatórios pressionados.
Foto: Band PiauíPara tentar amenizar a situação, um plano emergencial foi colocado em prática com foco na ampliação da produção de água. A concessionária Águas do Piauí anunciou investimento de R$ 70 milhões para atender 13 municípios do território Serra da Capivara. A expectativa é aumentar a produção em mais de 380 mil litros por hora, o suficiente para abastecer cerca de 32 mil famílias diariamente.
Parte das ações está concentrada na Serra Vermelha, onde novos poços estão sendo perfurados para reforçar o abastecimento em São Raimundo Nonato. Além disso, sistemas já existentes passam por melhorias, com reforço elétrico, instalação de geradores e revitalização de poços em outras localidades, como o sistema Serra Branca.
Para os moradores, qualquer avanço no abastecimento representa mudança direta na rotina. O aposentado Pedro Machado afirma que já percebe melhorias no fornecimento de água na região onde vive.
Foto: Band Piauí“O abastecimento de água aqui, aqui pra mim, eu vou falar uma verdade, tá bom. Tá bom porque tá tudo bom pra mim aqui. Parte da água aqui eu não reclamo, não. Das águas aqui é isso. Pra mim, a pessoa aqui não tá tendo falta, não tá dando falta nenhuma, não”, disse Pedro Machado.
Apesar dos avanços percebidos por alguns moradores, a qualidade da água ainda é uma preocupação em diferentes pontos da região, principalmente devido à presença de minerais nos lençóis subterrâneos.
Nesse contexto, o cabeleireiro José Macêdo avalia que os novos investimentos podem trazer melhorias importantes para a população.
Foto: Band Piauí“Se essa água chegar para nós, desses poços aí, já é uma água considerada boa. Apesar do índice de ferro, eu até vi um comentário que acharam água aí com menos de 400 metros de profundidade, que não chegaram ao índice de ferro. Isso é muito bom. É lógico que vai ajudar todo mundo”, afirmou José Macêdo.
Segundo a concessionária, o plano emergencial contempla 13 municípios do território Serra da Capivara, priorizando áreas mais afetadas pela escassez hídrica e pelas limitações naturais do solo.
De acordo com o gerente executivo da Regional Sul, Aldo Benavides, a iniciativa busca garantir o abastecimento regular mesmo diante das dificuldades impostas pelo semiárido.
Foto: Band Piauí
“Serão o total de 13 municípios que serão contemplados por esses investimentos. Municípios como Inocêncio, São Lourenço do Piauí, São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, Dirceu Arcoverde, São Brás, Guaribas. São 13 municípios que contemplam o território da Serra da Capivara. Sabemos que no semiárido, de uma forma geral, o problema de água é muito grande, especialmente na serra, nos municípios que contemplam a Serra da Capivara, na região do semiárido sul”, explicou Aldo Benavides.
Além da ampliação do número de poços, o projeto também inclui melhorias estruturais nos sistemas já existentes, como reforço elétrico, instalação de geradores e revitalização de unidades de captação, com o objetivo de aumentar a eficiência da distribuição.
“É mais ainda porque são lençóis que, quando você tem a perfuração de poços, são poços que possuem água salobra, água que não dá para o consumo humano. E aí, pensando tudo nisso, na necessidade da população, nós trouxemos esse plano, e aí vale frisar que são investimentos de formas emergenciais, investimentos para esse período que está se passando, para que os usuários possam ser abastecidos de forma regular”, completou o gerente.
No semiárido, encontrar água sempre foi um desafio histórico. Agora, cada novo poço representa mais do que abastecimento: simboliza a possibilidade de dias menos difíceis para milhares de famílias que convivem, ano após ano, com os efeitos da seca.
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