A escassez de água, realidade histórica no semiárido piauiense, começa a dar sinais de mudança com a ampliação do Sistema Garrincho, que abastece cinco municípios da região. A iniciativa combina investimentos estruturais e ações emergenciais para enfrentar desafios como a seca prolongada e as grandes distâncias entre captação e distribuição.
Durante anos, a falta de água fez parte da rotina de muitas famílias. Dentro de casa, tarefas simples como cozinhar, limpar e até beber água exigiam adaptações constantes.
Moradora da região de Santa Luzia, Maria Joares relata que, apesar das melhorias, o abastecimento ainda apresenta instabilidade, mas já representa um alívio no dia a dia.
Foto: Band Piauí“A água já vai ser mais melhor. A gente não vai esperar as pessoas virem botar água pra gente, não. Vai ter água na torneira, água boa, não é? Água mineral a gente não vai comprar mais, não.”
Para reforçar o sistema, duas novas Estações de Tratamento de Água (ETAs) compactas estão sendo implantadas. Juntas, elas devem ampliar a capacidade de tratamento em até 90 mil litros por hora.
Segundo o coordenador de operações da Regional Semiárido Sul, Karim Carvalho, os investimentos são realizados mesmo com o sistema em funcionamento, o que exige uma operação contínua e cuidadosa.
Foto: Band Piauí“Hoje, no Garrincho, nós estamos fazendo uma grande ação. Recebemos um sistema com bastante dificuldade e tivemos que fazer várias atividades com o sistema em andamento. As ETAs móveis chegaram para aumentar a produção de água em até 40% e melhorar a qualidade e a distribuição.”
As ETAs compactas se destacam pela agilidade na instalação e pela possibilidade de serem posicionadas em pontos estratégicos, ampliando o alcance da água tratada.
É nesse processo que a água bruta passa pelo tratamento antes de seguir para milhares de residências. As estruturas foram pensadas para acelerar o abastecimento em regiões onde cada hora sem água faz diferença. Em meio à seca, soluções como essa ajudam a evitar a interrupção total do sistema.
Ainda de acordo com Karim Carvalho, a estratégia é manter o fornecimento mesmo durante as intervenções.
“Hoje, a nossa estratégia é trocar a roda com o carro em movimento. As ETAs móveis permitem que a manutenção seja feita sem interromper o sistema, garantindo a continuidade da distribuição.”
Enquanto as melhorias estruturais avançam, uma operação emergencial também foi colocada em prática para atender áreas mais afetadas. Ao todo, 37 caminhões-pipa foram mobilizados, além da instalação de geradores e revitalização de poços.
O gerente executivo da Regional Sul, Aldo Benavides, explica que a prioridade é garantir o funcionamento contínuo do sistema, mesmo diante de imprevistos.
Foto: Band Piauí“No intuito de garantir segurança, instalamos geradores desde a captação até a estação de tratamento. Também mobilizamos 37 caminhões-pipa para que, em casos de desabastecimento, a população seja atendida, priorizando escolas e unidades de saúde.”
Na prática, moradores já percebem mudanças, especialmente na qualidade da água distribuída.
Para quem vive da terra ou depende diretamente do abastecimento diário, qualquer avanço representa alívio. É o caso de Arilândia Silva, moradora de Coronel Dias, que destaca a melhora na água que chega às residências.
Além das ETAs, o Sistema Garrincho também recebe novos geradores emergenciais e melhorias estruturais com o objetivo de reduzir falhas e garantir maior regularidade no abastecimento.
No semiárido, a água ainda depende de fatores naturais como a chuva e as condições do solo. Mas, cada vez mais, também passa a depender de sistemas que funcionem sem interrupção. Entre a seca e a esperança, o que a população espera é simples: abrir a torneira e ver a água chegar.
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