Quinta, 05 de fevereiro de 2026, 03:43
Cidades

Transporte público de Teresina exige R$ 14 milhões por mês para operar

Em entrevista ao Boa Tarde Piauí, Adriano Barreto Alves detalhou envelhecimento da frota, queda de passageiros após a pandemia e planos de reestrutura

A frota envelhecida, a queda no número de passageiros e o déficit financeiro estão entre os principais entraves do transporte público de Teresina. Em entrevista ao programa Boa Tarde Piauí, nesta terça-feira (03), o diretor de Transportes Públicos da capital, Adriano Barreto Alves, explicou a situação atual do sistema e os estudos da Prefeitura para renovação da frota e reformulação da mobilidade urbana.

O diretor iniciou a entrevista reconhecendo que a condição estrutural dos ônibus já preocupa e que a cidade está próxima de um limite que exigirá substituição urgente da frota.


Foto: Band Piauí“A nossa frota, infelizmente, já é velha e está chegando a um ponto muito delicado. Em um curto espaço de tempo, vamos precisar fazer a substituição de ônibus.”

Segundo ele, o edital do transporte estabelece que a idade média dos veículos deve ser de seis anos, mas a realidade da frota atual acaba elevando esse número.

“A idade média exigida no edital é de seis anos. Temos ônibus com quatro anos e outros com dez, o que eleva essa média.”
Adriano também revelou que a Prefeitura estuda a implantação de ônibus elétricos, por meio de parcerias com o Governo Federal e financiamento via BNDES.

“Estamos estudando a implantação de ônibus elétricos. Eles custam cerca de três vezes mais que um convencional, mas transportam mais pessoas e poluem menos.”

Ao falar sobre a quantidade de veículos em circulação, o diretor explicou que nem toda a frota fica nas ruas ao mesmo tempo, pois parte é reserva para emergências e manutenção.

“Hoje temos cerca de 280 ônibus rodando, dentro de um sistema que possui até 327 veículos, contando a reserva para emergências.”

Um dos pontos mais críticos destacados por ele é a queda no número de passageiros após a pandemia, que afetou diretamente a arrecadação do sistema.

“Antes da pandemia, transportávamos entre cinco e seis milhões de passageiros por mês. Hoje estamos com cerca de dois milhões e cem mil.”

A redução da receita faz com que o sistema dependa cada vez mais do subsídio público. Mesmo assim, o valor ainda é insuficiente para manter o serviço ideal.

“A Prefeitura arrecada em torno de R$ 4 a 5 milhões, mas banca R$ 6 milhões de subsídio por mês. Para o sistema funcionar de forma ideal, precisaríamos de cerca de R$ 14 milhões mensais.”

O diretor também destacou que a Prefeitura tem intensificado a fiscalização das concessionárias para evitar falhas na prestação do serviço.

“Nós fiscalizamos diariamente. Quando encontramos irregularidades, notificamos, multamos e até lacramos ônibus até que as pendências sejam resolvidas.”

Outro ponto levantado foi a necessidade de atualizar o Plano de Mobilidade Urbana, que está defasado há mais de dez anos, e já não acompanha a nova dinâmica da cidade.

“Nosso Plano de Mobilidade está defasado há mais de dez anos. A cidade mudou, os polos de atração mudaram, e o sistema precisa acompanhar essa nova dinâmica.”

Por fim, Adriano afirmou que a Prefeitura pretende remodelar as linhas muito longas, que hoje fazem viagens extensas em um único ônibus, prejudicando a frequência.

“As linhas muito longas, com viagens de 150 a 170 minutos em um único ônibus, não são boas. Vamos remodelar isso para melhorar a frequência.”

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