Terça, 03 de fevereiro de 2026, 07:57
Política

José Wilson afirma que TRE-PI está preparado para coibir abusos nas eleições de 2026

Presidente eleito, desembargador José Wilson, falou ao Boa Tarde Piauí nesta sexta-feira (30), sobre polarização, facções, IA, pesquisas e fraudes

Em entrevista ao programa Boa Tarde Piauí nesta sexta-feira (30), o presidente eleito do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, José Wilson, falou sobre os principais desafios que devem marcar as eleições de 2026 e destacou a postura que será adotada pela Justiça Eleitoral diante de um cenário de polarização política, avanço das fake news, uso de inteligência artificial e tentativas de interferência de organizações criminosas.

Ao comentar sobre o ambiente político no país, o desembargador relembrou quando integrava a Corte Eleitoral e como percebe a evolução desse cenário.


Foto: Band Piauí“Essa polarização começou em 2018. Eu estava lá no tribunal enquanto jurista, compondo a corte. E nós não tínhamos naquela oportunidade a ideia de que as coisas tomariam essa proporção. Mas mesmo havendo essa polarização, a Justiça Eleitoral está preparada para evitar e combater os abusos.”

Ele também ressaltou que a liberdade do eleitor é garantida, desde que respeitados os limites da legislação eleitoral.

“Cada um tem a livre escolha, o livre arbítrio de escolher os seus candidatos, mas tudo dentro dos limites que a legislação eleitoral permite. Aquilo que ultrapassar esses limites naturalmente a Justiça Eleitoral irá apurar, irá investigar e aplicar as sanções cabíveis.”

Sobre a segurança no dia das eleições, José Wilson fez uma avaliação comparativa entre os pleitos municipais e gerais e falou do monitoramento em cidades com histórico de conflitos.

“As eleições municipais têm um nível de acirramento muito maior do que as eleições gerais. Como as eleições gerais têm uma amplitude maior, teremos menos problemas do que nas eleições de 2024, mas tudo está sendo monitorado para que nas cidades com conflitos históricos possamos garantir a presença de tropas federais.”

Ao tratar das investigações envolvendo possíveis financiamentos de campanhas por facções criminosas, ele destacou a atuação integrada com os órgãos de segurança.

“A Justiça Eleitoral também está vigilante, existem parcerias com os sistemas de segurança para monitoramento dessas candidaturas.”

O desembargador explicou ainda em que momento essas situações passam por uma análise mais rigorosa dentro do processo eleitoral.

“Existe um momento em que isso tudo vai ser apurado mais de perto pela Justiça Eleitoral, que é quando dos registros de candidatura.”

Questionado se a atuação dessas organizações gera receio entre os magistrados, ele foi direto.

“Amedronta não, a gente não pode se acovardar, mas naturalmente que gera grandes preocupações.”

Outro ponto abordado foi o uso da inteligência artificial nas campanhas eleitorais e os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

“O uso da IA é permitido durante o período eleitoral, desde que tenha fins lícitos e não venha a ludibriar a vontade do eleitor.”

Ele fez um alerta específico sobre práticas proibidas.

“A utilização de robôs, daquelas conversas em que o eleitor pensa que é o próprio candidato que está falando, quando na verdade é um robô, isso é vedado.”

Em relação às pesquisas eleitorais, o presidente eleito explicou a exigência legal para registro antes da divulgação.

“A partir de 1º de janeiro do ano eleitoral, toda e qualquer pesquisa eleitoral deve ser registrada na Justiça Eleitoral em até cinco dias antes da previsão de divulgação.”

Por fim, ao falar sobre fraudes em candidaturas femininas para cumprimento da cota de gênero, ele reforçou que a Justiça Eleitoral tem meios de identificar essas irregularidades.

“A Justiça Eleitoral tem condições de detectar se há candidaturas fictícias.”

E concluiu destacando as consequências. 

“Isso pode implicar na cassação de homens e de mulheres.”

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