Terça, 29 de setembro de 2026, 10:14
Saúde

Anvisa investiga 13 notificações de doenças associadas a canetas emagrecedoras

O foco central das análises é a Neuropatia Óptica, uma condição ocular que funciona de forma semelhante a um "infarto" no nervo óptico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma apuração sobre 13 notificações de suspeita de perda de visão associadas ao uso de canetas emagrecedoras e antidiabéticas, como os tratamentos à base de semaglutida e tirzepatida. 

  

Canetas emagrecedoras. 

   

O foco central das análises é a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (Noia), uma condição ocular grave que funciona de forma semelhante a um "infarto" no nervo óptico. A doença ocorre quando há uma obstrução nos pequenos vasos sanguíneos que irrigam essa região responsável por transmitir as imagens da retina para o cérebro. Sem o fluxo adequado de oxigênio e nutrientes, as células nervosas sofrem danos, provocando uma piora súbita e frequentemente permanente da visão, acometendo geralmente apenas um dos olhos. 

Medicamentos sob monitoramento 

Os dados do sistema de farmacovigilância da Anvisa mostram que as notificações envolvem diferentes apresentações e princípios ativos da categoria: 

  • Ozempic (semaglutida) — 5 notificações 

  • Wegovy (semaglutida) — 3 notificações 

  • Wegovy FlexTouch (semaglutida) — 2 notificações 

  • Rybelsus (semaglutida em comprimidos) — 2 notificações 

  • Mounjaro (tirzepatida) — 1 notificação 

No total, 12 casos registrados estão ligados à molécula semaglutida, enquanto 1 envolve a tirzepatida. Além dos quadros focados na neuropatia óptica, o painel de monitoramento da agência também cataloga outros relatos de distúrbios visuais gerais, como visão turva, diminuição da acuidade visual e alterações no campo de visão. 

O que dizem os especialistas e a Anvisa? 

Apesar do alerta e do avanço das investigações, órgãos de saúde e especialistas reforçam que os registros tratam de suspeitas. A notificação de um evento adverso não comprova, por si só, uma relação direta de causa e efeito entre o remédio e a doença, já que fatores como histórico médico prévio dos pacientes também são avaliados de perto. 

O assunto ganhou forte repercussão internacional e atenção regulatória em função de estudos e processos judiciais nos Estados Unidos. No Brasil, a própria Anvisa determinou que a neuropatia óptica isquêmica (Noia) passasse a constar na bula dos medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa de incidência "muito rara". 

Especialistas em saúde alertam que os pacientes jamais devem interromper o tratamento por conta própria ou sem orientação profissional. A recomendação médica é clara: em caso de qualquer alteração repentina na visão, embaçamento súbito ou sintomas visuais incomuns durante o uso das substâncias, o paciente deve procurar atendimento médico oftalmológico e endocrinológico imediatamente. 

Fonte: Band.com.br

 

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