Quinta, 17 de setembro de 2026, 14:24
Saúde

Chás emagrecedores não eliminam gordura e trazem riscos

A combinação desconhecida de ervas em misturas comerciais pode causar complicações clínicas.

O consumo de bebidas conhecidas como chás emagrecedores, "detox" ou "seca barriga" se tornou comum entre quem busca perder peso rapidamente, impulsionado por promessas de aceleração do metabolismo. No entanto, médicos e especialistas alertam que nenhum chá é capaz de promover o emagrecimento de forma isolada. O uso sem orientação adequada pode resultar em sérios riscos à saúde, incluindo desidratação severa e desequilíbrios no organismo.O principal equívoco em relação a essas bebidas está no efeito gerado por compostos diuréticos e laxativos. A diminuição observada na balança após a ingestão frequente decorre da perda temporária de líquidos ou do estímulo intestinal, e não da queima de gordura corporal. 

  

A combinação desconhecida de ervas em misturas pode causar complicações clínicas. 
   

"É importante diferenciar perda de peso de perda de gordura. Quando uma pessoa consome substâncias com efeito diurético ou laxativo, pode perceber uma redução momentânea no peso, mas isso não significa que o organismo eliminou gordura. O emagrecimento saudável acontece por meio de mudanças sustentáveis e não por soluções rápidas", explica a endocrinologista Maria Simões, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. 

Falsas promessas e os perigos do consumo sem orientação 

Embora alguns tipos de chás ofereçam nutrientes que auxiliam na ingestão diária de líquidos, a promessa de redução de peso milagrosa esconde perigos. A combinação desconhecida de ervas em misturas comerciais pode causar complicações clínicas, além de reações adversas quando associada a medicamentos."Não existe um alimento ou bebida capaz de, sozinho, provocar uma perda de peso significativa. O chá pode fazer parte da rotina de uma pessoa, mas não deve ser tratado como um medicamento para emagrecer. Quando existe excesso de peso, é preciso entender as causas e avaliar cada caso de forma individual", afirma a médica. 

A endocrinologista ressalta ainda que a origem vegetal de um produto não garante sua segurança. "Natural não é sinônimo de inofensivo. Muitas substâncias de origem vegetal possuem efeitos no organismo e podem interagir com medicamentos ou piorar determinadas condições de saúde. Por isso, principalmente quando há consumo frequente ou em grandes quantidades, é importante buscar orientação", alerta Maria Simões. 

Pacientes com doenças crônicas, problemas renais, hepáticos ou intestinais, além de gestantes e lactantes, devem evitar a ingestão de compostos alimentares e infusões sem aval médico.A busca por resultados imediatos costuma desencadear o efeito sanfona, quando o indivíduo recupera rapidamente o peso perdido ao interromper dietas restritivas ou o uso de diuréticos. A recomendação dos profissionais de saúde é focar em uma reeducação alimentar contínua, na prática rotineira de atividades físicas e na melhora da qualidade do sono. 

"O emagrecimento precisa ser sustentável. Mais importante do que perder peso rapidamente é conseguir manter hábitos que façam sentido para aquela pessoa no longo prazo. Dietas extremamente restritivas e produtos que prometem resultados milagrosos geralmente não resolvem a causa do problema", analisa a endocrinologista.  

Em vez de abolir o chá da dieta, a orientação é consumi-lo com moderação, sem atribuir a ele propriedades terapêuticas não comprovadas."Não precisamos transformar o chá em vilão, mas também não podemos atribuir a ele um efeito que não possui. O emagrecimento é resultado de um conjunto de fatores e deve considerar alimentação, atividade física, sono, rotina e as particularidades de cada organismo. Quando existe dificuldade para perder peso, o mais seguro é procurar um profissional para entender o que está acontecendo e definir a melhor estratégia", conclui a médica. 

Fonte: Band.com.br

 

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