Estamos acostumados a encontrar praticamente todos os alimentos durante o ano inteiro. Mas disponibilidade não significa que um ingrediente esteja sempre no seu melhor momento. Frutas, verduras, legumes e outros produtos seguem ciclos influenciados pelo clima, pela região, pelo cultivo e pela oferta.

Antes de escolher a receita, vale perguntar: o que está disponível, fresco e em boa quantidade agora?
É aí que entra a sazonalidade. Mais do que um conceito ligado à agricultura, ela pode orientar escolhas muito práticas: o que comprar, quanto comprar e como variar a alimentação ao longo do ano.
E não significa simplesmente comprar o que está mais barato. Significa observar o que a natureza e os produtores estão oferecendo e aproveitar essa disponibilidade com planejamento.
O caju é um bom exemplo no Piauí. Segundo a Embrapa, sua safra na região pode se concentrar entre agosto e novembro, embora essa janela varie conforme as condições climáticas. Em boa oferta e qualidade, ele vai muito além do suco: pode aparecer em doces, geleias, molhos, sobremesas, preparações salgadas e bebidas.
O mesmo olhar vale para ingredientes como bacuri, buriti, cajá, milho, macaxeira, abóbora, maxixe, fava verde e vinagreira.
A questão não é decorar um calendário de alimentos. É aprender a perceber o que está disponível em cada período.
Comprar melhor também é planejar
Alimento da estação não significa, automaticamente, alimento barato. O preço também depende de produção, demanda, transporte, perdas e comercialização.
Por isso, uma compra inteligente considera oferta, qualidade, preço, quantidade e aproveitamento.
Comprar muito porque está barato não é economia se parte terminar no lixo. Da mesma forma, encontrar um ingrediente em boa oferta e já saber como utilizá-lo ao longo da semana pode tornar a compra mais eficiente.
E existe uma vantagem que não aparece na calculadora: a sazonalidade também pode ampliar o repertório alimentar.
Um ingrediente pode aparecer de diferentes maneiras ao longo da semana e, conforme sua disponibilidade muda, outros ocupam seu lugar. Assim, a própria estação ajuda a renovar o cardápio.
Na próxima ida à feira, experimente inverter a lógica. Antes de pensar no que vai cozinhar, observe o que encontrou.
Pergunte ao feirante o que está chegando, compare qualidade e preço e pense:
O que está disponível?
Quanto preciso comprar?
De quantas maneiras posso utilizar?
Cozinhar com a estação não exige regras rígidas. Exige atenção.
Porque uma alimentação mais variada, uma compra mais consciente e uma cozinha com menos desperdício podem começar justamente ali: no que a feira nos oferece hoje.
Por Amandha Silveira – Gastróloga, Sommeliére e colunista de gastronomia
Instagram: @amandhassilveira | www.amandhasilveira.com.br
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