Quando a final é Argentina x Espanha, é inevitável notar como os ânimos se dividem por aqui. Para muitos, a velha rivalidade do futebol fala mais alto e desperta um repentino "ancestral ibérico" na árvore genealógica. Afinal, para uma boa parte dos torcedores, a regra é clara: contra os nossos hermanos, somos Espanha desde criancinha! Por outro lado, há quem deixe as provocações de lado pelo puro respeito ao futebol dos nossos vizinhos. Divididos ou não, a verdade é que o clima de final contagia.

Até porque o espetáculo em campo promete: de um lado, a genialidade veterana de Messi liderando os argentinos; do outro, a Espanha com a energia de Lamine Yamal, o jovem talento apontado por muitos como o sucessor natural do trono do craque. É quase como abrir uma garrafa de um clássico histórico e, ao mesmo tempo, apostar no rótulo jovem mais promissor da safra atual.
Se essa disputa fosse decidida na gastronomia, o empate técnico seria o resultado mais justo:
- A Argentina entra em campo com a força de um churrasco impecável, empanadas perfeitas e aquele Malbec clássico que dispensa apresentações.
- A Espanha responde com a elegância do jamón, a delicadeza das croquetas, a tradição da paella e vinhos que vão de um Albariño vibrante a um Tempranillo de respeito.
Se no futebol a tensão é real, à mesa a diplomacia vence por goleada.
Para este domingo, o cardápio do torcedor brasileiro promete ser bem democrático. Haverá quem escolha o vinho espanhol para celebrar a afinidade com a Espanha (ou simplesmente para secar o rival), quem prefira brindar com as notas intensas de Mendoza, e quem simplesmente use o jogo como o pretexto perfeito para abrir uma excelente garrafa, independentemente de quem levante a taça.
O futebol desperta paixões intensas que a gastronomia, felizmente, consegue apaziguar. Ninguém discute com uma boa taça na mão por muito tempo.
Para a grande final, fica a sugestão: escolha o seu rótulo favorito — seja ele um Rioja imponente ou um Malbec encorpado. Afinal, existem rivalidades que dividem torcidas, mas existem mesas que sempre conseguem reunir o melhor dos dois mundos.
E por aí, como os vinhos e as torcidas estão escalados para o domingo?
Por Amandha Silveira – Gastróloga, Sommeliére e colunista de gastronomia
Instagram: @amandhassilveira | www.amandhasilveira.com.br
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